Olho-me ao espelho
Vejo a cara de sempre;
Simples e sem graça
Com um sorriso ausente!
Quanto mais estou convencida
Mais me tento iludir
Se me dizem que sou bonita,
Porque é que não me sinto assim?
Só queria sentir os teus braços
A apertarem-se em meu redor,
Sentir que em terrenos alheados
Consigo esquecer tamanha dor!
Quando me elogiam
Eu finjo não ouvir
E depois penso que sim
Só para me iludir.
Mal entro na escola
Vejo olhares inquiridores
Caras desconhecidas a tentar não rir
E os que riem, os pequenos amadores.
Sento-me na carteira
Sem ligar aos murmurinhos;
Presto atenção à aula
E sigo os meus caminhos.
Quero mudar, quero esquecer
Tudo o que vi até agora;
Eu acredito no destino
E quero ir daqui para fora!
