13 junho 2007

Querida mãe:

Não vais ler esta carta, eu bem sei! Mas nao me importo...
Desde cedo que me tratas como se fosse um bebé. Já nao sou, mas tu nao percebes isso.
Cada vez mais, liberto me da tua asa, e tu nao reparas. Aliás, puxas me à força para eu voltar.
Mas tens de entender. As coisas nao sao como nós queremos.
Temos de nos sujeitar ao que temos! E deixar para la o que queremos e nao podemos ter.
Gostava de um abraço sincero teu, um abraço adulto. Nao como aqueles que me das, que me fazem sentir uma criança, porque eu nao quero. Quero e sentir aqueles que me fazem crescer, aprender e sobreviver, como se fosse para uma floresta perdida, buscar comida e aquecer me.
Mas devo dizer que te adoro.
Mais que tudo!
Nao concordo com quem diz que as filhas dao se melhor com os pais, e os filhos com as mães. Ou entao, eu sou uma excepçao. Mas nao me parece.
Apesar de tudo, sei que tu queres o melhor para mim.
Isto nao é para te deitar abaixo, nem por sombras... Isto é um sonho meu, uma carta minha, recheada de dor e imaginação.
Podem dizer que sou falsa, mentirosa, que só faço isto para terem pena de mim ou chamar a atençao, mas isso nao e verdade. Ninguem manda no meu tipo de escrita, ninguem manda naquilo que eu escrevo. Se tem problemas, resolvam nos sem me meter ao barulho.
Esta carta ja ultrapassou os limites, bem vejo.
Mas eu nao te vou entregar, mae.
Vou deixa la sair do computador e ir directa a tua alma.

Adoro te, mae!