Reflexões - dia da mãe, para a avó
É hoje o tão esperado dia. É hoje que podemos insinuar o nosso afecto, a nossa alegria, a nossa felicidade... Como melhor nos convém.
Sabes que te adoro. Sabes que és como se fosses uma mãe para mim. Sabes que estás dentro do meu coração... Mas isso nunca te chega!
Estás sempre a pedir mais, mas tens de ter em conta que eu não sou a super - mulher! Não te posso realizar todos os desejos. Simplesmente, não posso. O Ser Humano não é assim! Nós não podemos ser perfeitos.
Eu sei disso, tu sabes disso, nós sabemos isso. Mas isso não altera nada: não altera o que eu sinto por ti, não altera aquilo que estou a escrever, e o que te costumo dizer.
Tu sabes o necessário. Tu sabes muitas coisas! Mas preferes simplesmente ignorá-las. Não tem lógica, não tem sentido... Isso não é nada!
Trabalhas tanto... Queixas-te sem fim... E não te lembras de mim! Não te lembras de ver que sofro por ti, cada palavra, cada gesto, cada ferida... É um momento infernal, para pessoas como eu.. que gostam muito de ti!
Talvez nem consigam competir com o amor que eu sinto. Porque sim! Porque tu viste-me crescer ainda mais que os meus pais, porque és tu que me alimentas e tratas da casa onde eu vivo, que tanto é minha como tua!
E, por amor de Deus, porque é que vos iriam expulsar daqui?! Vocês são a luz, na Escuridão e os anjos, no Inferno. Se os pais vos dissessem alguma coisa, era para agradecerem-vos.
Sei que há muitas pessoas egoístas. Pessoas que nunca sabem agradecer o nosso esforço. Mas eu não sou assim! Por tudo aquilo que tenho, por tudo aquilo que sou.. eu prometo que vocês não vão sair contrariados. Aliás, nem sequer vão sair. E se saírem.. Bem, eu fujo de casa! Eu vou com vocês, nem que tenha de passar por mil dificuldades, por mil perigos e caminhos. Não me importo! Amo-vos mesmo muito e vocês são o motivo pelo qual eu nunca me “aventurei” a sair de casa. Não sabes, ficas a saber. Não é difícil para vocês. É difícil para mim. Viver com “eles”, não tem comparação a viver com vocês.
E não me venham dizer que eles é que são a minha família. Eu é que sei! O sangue não importa nada. E eu tenho sangue vosso. A partir do momento em que fizeram a minha mãe nascer, eu tenho sangue vosso.
Porque são vocês os meus “pais”, e a vida o resto da minha família.
Não quero ouvir mais nada. Tapo os meus ouvidos, num gesto de solidão. A morte não me assusta, a vida nenhum sentimento me suscita. Já pensei em suicidar-me... Mas, porque haveria de o fazer?! Não quero ser cobarde. Quero corrigir os meus erros. Quero ser feliz. Quero gritar ao vento aquilo que sempre quis ouvir, e que nunca foi possível.
Mas não posso. Não é essa a minha obrigação. A minha obrigação é tentar ao máximo ser feliz, aceitar-me a mim mesma e aos outros.
Mas eu não vou pensar nisso! Não vou falar nisso sequer. Esta carta nunca deveria ser lida... Esta carta não deveria ser interpretada erradamente.
Vou parar. Já disse aquilo que pensava.
Vou parar. As minhas reflexões esgotaram-se.
Esgotaram-se como uma gota de chuva já evaporada, um material não - renovável... Que é como a vida fica depois da morte.
25 maio 2007
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